Tony Feio
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- Tony! Decidiste subir para aí onde estás e não avisaste ninguém. Porquê? Quiseste mostrar que eras bom amarinhando até aí acima? Gozas connosco, todos os que ficaram cá em baixo? Não paras de rir? Fizeste mal. Francamente! Que se passa aí no alto dessa árvore? Por que razão seguras na mão uma banana? Tens doze anos e gostas de te sentar aí em galhos tão perigosos?!

O leitor não está enganado. Isso mesmo. Quando tinha doze anos, num piquenique no Guincho, de repente, Tony desata a trepar por um pinheiro, imitando um macaco, pedindo aos amigos (nós os que o olhávamos, estarrecidos com o seu súbito empreendimento) ...uma banana. Lá no topo, descasca-a, come-lhe, segundo as suas palavras, "o fruto" (a casca difícil de mastigar) e atira para nós, os cá mais rentes ao chão, o..."caroço".

Rimos que nem perdidos. Achados, só mais tarde, quando um livro se abre e conta a afinidade etimológica entre a palavra caroço e a palavra coração.

Aos doze anos, nessa tarde, no pinhal do Guincho, ofereceste-nos a melhor parte do fruto enquanto ensaiavas digerir a casca. Hoje, aos cinquenta e cinco, no palco onde ainda actuas, segues idêntica partitura: dás-nos sempre o caroço, o teu coração.

Ana Paula Guimarães,
tua sempre amiga desde há muitos anos

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Alguns grafismos neste site foram retirados d'A Boneca Palmira, Edições Eterogémeas, e são da autoria de Gémeo Luís.