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Título: Autores: Programas de Investigação:    

Paula Morgado Sande
Novembro de 2007
Colocado às 21:06, 25/05/2008

Vivemos tempos propícios ao questionamento crítico das noções – por tradição elitistas e cristalizadas – de «cultura escolar», de «cânone pedagógico» e de «educação literária» dos jovens. A relativamente recente criação de novos programas escolares para a leccionação da disciplina de Português para o nível de estudos secundários reflecte o espírito do novo tempo: o conjunto desses programas revela-se de facto um produto natural do ambiente epistemológico e ontológico que define a sensibilidade pós-moderna.

 
Os novos programas reflectem uma atitude pedagógica, ideológica e cultural inusitadamente aberta relativamente à noção, por tradição muito conservadora, de «cultura escolar». Trata-se de uma proposta realmente inovadora de “deselitização” do cânone pedagógico. Estes programas estão todavia, de forma muito contraditória, ainda profundamente comprometidos com o ideal academizante de «cultura literária consagrada» e «dominante». Revelam uma postura de abertura cultural, mas estão cativos de uma visão academizante da literatura.
 
Adoptando-se uma noção dinâmica de cultura, de literatura e de tradição, propõe-se um programa de formação do leitor imaginativo, crítico e afectivo, que se sustenta na defesa de um processo de “deselitização” do cânone pedagógico, definitivamente liberto do fundamentalismo do textocentrismo (da cultura escrita) e da ideologia aristocrática e exclusivista da canonização literária.

Duas notas sobre a "fala com qualidades" numa era de empobrecimento da comunicação humana e de declínio da oralidade.
Paula Morgado Sande
Colocado às 16:18, 28/01/2008

Não é difícil encontrar em artigos e em trabalhos académicos definições de provérbio que permitam chegar ao estabelecimento de uma lista mais ou menos consensual de adjectivos e de expressões qualificativas. Gostaria de escolher uma definição entre tantas que existem, proposta, não por um académico, mas por um escritor que, por várias razões que neste momento não vêm ao caso, sempre esteve muito identificado com essa cultura oral e tradicional que veio produzindo, e sempre estimou, essas formas lapidares de expressão que são os provérbios. No romance O Ano da Morte de Ricardo Reis, José Saramago apresenta-os como sendo «fórmulas de sabedoria condensadas, para uso imediato e efeito rápido, como os purgantes». Com esta definição económica e muito eficaz o escritor faz alusão a algumas características essenciais do provérbio: a sua economia verbal, a sua flexibilidade de uso contextual (apesar da sua forma rígida) e o seu poder e eficácia enquanto tradução de uma verdade (não obrigatoriamente de valor universal) ou expressão de uma ideia, de uma experiência, de um saber, de uma norma, de um conselho.

(pontos de partida; algumas perspectivas teóricas e metodologias)
Paula Morgado Sande
Outubro de 2007
Colocado às 00:00, 18/10/2007

O edifício teórico que sustenta o IELT - Instituto de Estudos de Literatura Tradicional da Universidade Nova de Lisboa - é, por vocação, eminentemente multidisciplinar. O seu campo de estudos, a que podemos chamar literatura tradicional/popular de transmissão oral, etnoliteratura ou, cobrindo uma área mais vasta de investigação, património dos textos orais e das tradições populares, inclui fundacionalmente um trabalho de recolha e de investigação de textos, de práticas e de objectos que permitem a compreensão de visões do mundo. Recolhendo e lendo os textos produzidos, preservados e estimados no interior da comunidade afectiva e cultural - uma comunidade animada pela memória e que, por amor de si própria, os conserva e transmite como legado às novas gerações - o investigador pesquisa, apreende e esclarece modos de relação do humano (o ser individual e o colectivo; pessoas, grupos sociais e comunidades) com o meio físico e a realidade social e cultural entendida como lugar de partilha de crenças, de experiências e de valores. Ou seja, o investigador intenta perceber e descrever os modos como os indivíduos e os grupos sociais percepcionam o mundo e habitam os lugares e de que formas traduzem, através do praticar - falar, contar, recontar, dançar, ritualizar, representar… - essas visões e essas experiências do mundo.

Uma abordagem sistémica da literatura tradicional
Ana Salazar Braga
18 de Fevereiro de 2007
Colocado às 00:00, 18/02/2007

Desde sempre me espantou a energia, a vitalidade e a juventude positiva do espírito da Ana Paula Guimarães (APG), que indubitavelmente constituem a sua "imagem de marca" nos trabalhos que tem vindo a orientar no Instituto de Estudos da Literatura Tradicional (IELT).

E já lá diz a tradição:

"As conversas são como as cerejas". Começa-se por uma e logo se segue outra e outra, num rosário infindável que só se esgota quando o fim do cesto é encontrado. Foi nessas conversas soltas e informais, no quotidiano das voltas da vida, que a Sistémica a pouco e pouco se aproximou da Literatura Tradicional.

Dessas conversas, tidas no último ano, nasceu uma ideia, qual fio condutor, que em nós simples, duplos e complexos tem vindo a traduzir um desenho teórico que, se elementar no presente, qui ça no futuro poderá conduzir a uma trama bem mais complexa.

É que o fim do cesto ainda não se avista...

Tendências da literatura infantil contemporânea
Maria de Lourdes Soares (docente na Universidade do Rio de Janeiro)
2 de Janeiro de 2007
Colocado às 00:00, 02/01/2007

«Contar histórias é uma arte milenar, presente em diferentes culturas. Embora em textos escritos antigos encontrem-se relatos e fragmentos da tradição oral, a preocupação com o registro escrito e a publicação dos contos populares é de certo modo recente. O sistema de transmissão dos contos não se fez uniformemente, assim como o processo de colecta e fixação, que variou de acordo com as diferentes motivações dos colectores e concepções de fidelidade às fontes. A questão não é simples e põe em debate o estatuto da "oratura" (ou "oralitura") em relação à literatura escrita, o jogo da subjectividade e da objectividade, as relações entre cultura erudita e popular, etc.»

José Rodrigues dos Santos
Outubro de 2006
Colocado às 00:00, 30/09/2006

«Lancei umas anotações rápidas no computador em Fevereiro de 2006, enquanto tinha na memória as impressões e as ideias surgidas durante a escuta da gravação da emissão TSF / IELT sobre literaturas e músicas tradicionais. Durante essa sessão...»

Anabela Almeida Gonçalves
10 de Outubro de 2005
Colocado às 00:00, 10/10/2005

«Como a maioria dos assuntos que despertam séria curiosidade e irreprimível paixão em quem os estuda ou em quem se interessa minimamente por eles, o caso da literatura tradicional reveste-se de alguma complexidade a nível de nomenclatura... »

Ana de Sousa Gil
16 de Março de 2005
Colocado às 00:00, 16/03/2005

«A grande aposta dos que se dedicam ao estudo da cultura tradicional penso que é o de reunir não conchas avulsas de um mar ausente mas sinais vivos de uma realidade desmesurada.» - Teresa Rita Lopes

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Algumas ilustrações neste site da autoria de Danuta Wojciechowska.