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Ana Paula Guimarães
Janeiro

«No princípio era... o verbo; é verdade.
Mas, no princípio, também era (e continua sendo) fundamental - para que acontecesse nascimento de vida nova - a mulher não ser estéril.

 
Consultemos Artes de Cura e Espanta Males (Lisboa, Gradiva, 2009; 2ª ed. 2011), coordenado por Ana Gomes de Almeida, médica cardiologista, Miguel Magalhães, linguista e Ana Paula Guimarães, quem hoje aqui escreve (sem ainda saber quem é).
 
Vejamos no capítulo Ginecologia e Obstetrícia, comentado por Dr. Miguel Oliveira da Silva, como se evitava que a mulher ficasse estéril e nunca chegasse a haver herdeiros.»

Helena Maria Pereira e Maria Alexandra Almeida Ferro
Dezembro de 2011

Esta Folha foi elaborada pelas colaboradoras do Projecto de candidatura da cultura Avieira a património imaterial nacional e da UNESCO, Helena Maria Pereira e Maria Alexandra Almeida Ferro, ambas habitantes da Póvoa de Santa Iria, no concelho de Vila Franca de Xira. Estiveram nas tradicionais Festas religiosas da Póvoa, dedicadas a Nossa Senhora da Piedade e nelas participaram, tendo elaborado o registo que se apresenta nesta Folha Informativa dedicada, como outras, à celebração do Tejo e das tradições ribeirinhas.

Anete Costa Ferreira
Outubro de 2011

As curas tradicionais com seu lado mágico através das rezas e ações variadas foram os meios que os povos utilizaram para tratar seus males físicos e mentais. Os primitivos pelos seus pagés acreditavam que pelo sopro e pela sucção curariam todos os malefícios. O africano pelas crendices nas benzeduras, ervas, amuletos, patuás e santinhos. O europeu aperfeiçoou as investigações das propriedades terapêuticas de cada planta possibilitando o seu ingresso no campo científico.
Nesse contexto decidi estudar o trabalho de Giacometti em Portugal comparando-o à Amazónia pela diversidade da flora ali existente. Nele foram encontradas várias aplicações semelhanças para curas de males entre os dois pólos.

O Círio de Chelas e a Procissão de Nossa Senhora da Atalaya
Ana Paula Pinto e Carlos Vitorino
Outubro de 2011

Este trabalho reporta-se às Festas de Nossa Senhora de Atalaya, procissão fluvial que se desenrola no Grande Estuário do Tejo e que junta os círios da Fundação do Centro Náutico Moitense, de Chelas e da Alfândega de Lisboa. Os nossos colaboradores acompanharam presencialmente a procissão, na íntegra.
O evento foi organizado pela Marinha do Tejo, que transportou os círios nas suas embarcações.
A devoção estende-se por todo o estuário do Tejo, até Samora Correia, estendendo-se também até Setúbal. Para o projecto dos Avieiros e para o estudo do fenómeno da religiosidade dos pescadores e das populações ribeirinhas do Tejo e do Sado, este evento é da maior importância.

Sara Pelicano, cafeportugal.net
21 de Setembro de 2011

Receituário antigo confeccionado e relatado pelos que há muito aprenderam, histórias do campo e do mar, lendas e superstições. Este património oral está registado em vídeo no projecto Memoria Media - e-Museu de Património Imaterial. Mostrar ao mundo estas tradições, valorizá-las e colocá-las ao serviço dos mais novos para que as possam reinventar, são objectivos da iniciativa criada em 2006.

III Simpósio CORPUS, Lima
José Luis Grosso
Maio de 2011

En el marco de un proyecto de investigación formulado por un equipo conformado por académicos, músicos, bailarines, artistas plásticos y dramáticos, militantes de movimientos sociales y actores locales, se propone la indagación sobre lo que la música genera y lo que genera música en el Norte de Argentina en contextos de celebración familiar, encuentro de amigos, fiesta vecinal o barrial, encuentros de movilización social y procesos organizativos comunitarios. Los conceptos de “semiopraxis” y “discurso de los cuerpos” introducen discusiones teórico-metodológicas de especial interés en la investigación.

Cultura Avieira a Património Imaterial Nacional e da UNESCO
Julho de 2011

«Estamos em pleno Verão e nesta altura os pescadores da Praia de Vieira de Leiria, como em outros locais do litoral central Português, lançam as suas redes ao mar, continuando uma prática centenária que remonta aos seus antepassados. É esta a altura ideal para pescar, dado que o mar assim o permite. Passada esta “autorização”, o mar fecha-se de novo, ávaro, e não permite que ninguém se atreva a desafiá-lo para praticar a pesca.
No passado, foram estas as principais razões que levaram os pescadores da Praia de Vieira de Leiria a procurar no Tejo o peixe que o mar lhes negava durante quase todo o ano – daí as migrações, em meados do século dezanove, que estiveram na origem da fixação dos pescadores da Vieira no rio Tejo, e mais tarde no Sado.
Hoje continuam na Praia de Vieira de Leiria a praticar a xávega, ou Arte, nos meses de Verão. Dessa actividade tão característica vos demos conta nesta Folha Informativa, composta exclusivamente de imagens de um dia de pesca.
Esta Folha serve como um tributo aos homens do mar, aos “mais pobres dos pobres”, como os considerava Raúl Brandão, e oferece-nos uma perspectiva do que poderemos assistir naquela Praia se a quisermos visitar no Verão.»

Revista da Associação Portuguesa de Horticultura, nº105
Maria Manuel Valagão
2011

Neste artigo abordaremos a actualidade da candidatura portuguesa da Dieta Mediterrânica a Património Imaterial da Humanidade da UNESCO, bem como o papel e a importância dos produtos hortícolas neste modelo alimentar, quer nos já conhecidos benefícios para a saúde individual, quer na sustentabilidade dos territórios rurais e na salvaguarda do património cultural alimentar.

Recensão crítica
Un xogo coa literatura da transmisión oral no que salientan as súas doses de humor, diversión e a mensaxe ecoloxista
Carmen Ferreira Boo USC/CIRP
30 de Agosto de 2011

«[...] Na liña da reescritura dos materiais narrativos de transmisión oral, Inacio ofrece unha fábula dramática moi divertida, que permite diferentes niveis interpretativos, na que emprega elementos dos argumentos e temáticos de diferentes contos da transmisión oral, xogando cos personaxes estereotipados e empregando o dinamismo na acción e nos espazos e tamén o humor, presente desde a dedicatoria ao burro "animal cuadrúpede vido a menos nestas terras". [...]»

Maria Manuel Valagão
27 de Abril de 2011

«Todas as casas têm um cheiro próprio, um cheiro a antigo ou um cheiro a novo, um cheiro a vazio ou um cheiro a habitado. Entramos numa casa e os nossos sentidos despertam: somos apanhados por cheiros bons e cheiros maus, por cheiros lavados e por cheiros sujos, por cheiros mortos e por cheiros vivos, por cheiros fortes e por cheiros subtis, por cheiros nítidos e por cheiros indistintos, por cheiros ‘nómadas’ e por cheiros ‘sedentários’. Os cheiros de uma casa são a sua marca, o seu carácter, a sua definição, o seu rosto. A maioria faz parte da memória que temos dela. Ninguém como Marcel Proust decifrou tão claramente isto. O seu livro ‘Em busca do Tempo Perdido’ é atravessado por cheiros, perfumes, aromas, odores, palavras que são sinónimas umas das outras, mas não inteiramente coincidentes.»

Selene - culturas de Sintra - Verão 2011
Ana Paula Guimarães
Julho de 2011

«País pequeno, grande cultura?
País de povo em ponto grande? Ou país de pequeninos em Portugal? Grandes lá fora?
Há escolas de grandes? Pequenas?
Artes casam com educação? Em que tempos e territórios?
Quantas escolas de pequenos nos pensam?
Pensa-se? Escreve-se? Pinta-se? Compõe-se? Pratica-se? Age-se? Coze-se? Cose-se?
Bordados encetados e bem acabados? Cerzidos? Pespontos bem certos?
Praticamos culturas? Histórias da vida de cada um? Cerimónias e tempos? Nomes!?
Que memorizamos? Que memorizámos e ainda ritualmente revemos? Trabalhos prosseguidos à custa de cantos? Noites vividas escutando contos? Que mais histórias se ouve? Anedotas? Quantos provérbios se sabe de cor e salteado? Lengalengas? Trava-línguas?
Quem nos coloca adivinhas em frente? Qual é a nossa frente?O mar existe em nossa frente? Ou mais terra do que mar?
Qual o lado que mais interessa? Interior? Ou exterior? Fora? Ou dentro? Cima ou baixo?
Fala-se disso? Disso… o quê?
Quem fala connosco? A terra? E os rios e as rias?
Fala-se com a terra? Com o mar, ria e rio? Onde? Que água nos rega e alimenta? ...»

Lo Indio, lo Negro y lo Cholo en lo "Santiagueño", en el Norte Argentino
José Luis Grosso
Junho de 2011

«Me propongo en este texto establecer un diálogo con un pensador, escritor y militante santiagueño poco conocido y mucho menos reconocido en los ámbitos académicos e intelectuales dominantes: Francisco René Santucho. Su relación con las gentes, movimientos y comunidades, que cuestiona el lugar determinado como propio del “intelectual” (lo cual a veces suele considerarse claro qué es lo que quiere decir), hace que sus pensamientos deambulen entre el conocimiento, la socialidad de pertenencia y la política, donde “caer” en el anonimato es derivar en el pensamiento colectivo. Este diálogo, a destiempo, como suelen ser los diálogoscon recuerdos, tradiciones orales y discursos escritos (condición tal vez general de todos los diálogos, que, lo sepan o no, están preñados de tiempos), acompaña mi pensamiento (y el de todos quienes leemos este texto ahora) en torno a cuestiones que nos reúnen junto con Francisco René en la rueda compartida. Encuentro aquí aportes, que no dejo de agradecer, sobre la relación entre “cuerpos, estéticas y movimientos sociales” que nos convoca.»

Natureza, Gastronomia & Lazer
Miguel Esteves Cardoso
29 de Abril de 2011

«Se pudesse escolher apenas um livro de preferência para recomendar aos caçadores de pechinchas pecaminosas desta Feira do Livro, seria o lindíssimo calhamaço que dá pelo nome de Natureza, Gastronomia & Lazer: Plantas Silvestres Alimentares e Ervas Aromáticas Condimentares, organizado por Maria Manuel Valagão e editado pelas Edições Colibri.»

Teresa Manjate
Maio de 2011

«Interest on Oral literature, and particularly in proverbs, dates back to ancient times. The works of Aristotle and Plato on literature and rhetoric are examples (Kindstrand: 1978). The Holy Bible is another example of the use and valorisation of these short and deep texts. However, the systematic study of the subject is relatively recent. The development of subjects like Social Anthropology, Linguistics, particularly on Semantics, Semiotics and Pragmatics, and Literary studies have given a crucial contribution in a new vision on the subject.»

Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano
Abril de 2011

A presente Folha Informativa conclui hoje um conjunto de três, que apresentam extractos significativos de um estudo de dois autores clássicos da etnologia Portuguesa: Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano – que publicaram em 1964 a sua obra Palheiros do Litoral Central Português, fundamental para compreender a continuidade cultural destas genuínas construções.

Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano
Abril de 2011

A presente Folha Informativa é a segunda de um conjunto de três, que apresentam extractos significativos de um estudo de dois autores clássicos da etnologia Portuguesa: Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano. O estudo de base para estas três Folhas Informativas é a obra Palheiros do Litoral Central Português, publicada em 1964 pelo Centro de Estudos de Etnologia Peninsular.

Palheiros do Litoral Central Português - I
Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano
Abril de 2011

A presente Folha Informativa inicia um conjunto de três, que apresentam extractos significativos de um estudo de dois autores clássicos da etnologia Portuguesa: Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano. O estudo de base para estas três Folhas Informativas é a obra Palheiros do Litoral Central Português, publicada em 1964 pelo Centro de Estudos de Etnologia Peninsular.

Mesa redonda em torno de «Gente Comum: uma história na PIDE»
Paula Godinho
5 de Abril de 2011

Que os “autos” da PIDE são falseados de raiz ou que o repertório de torturas da polícia política de Salazar incluía requintes como gravações alegadamente de familiares dos prisioneiros, emitidas de uma sala contígua à dos interrogatórios, são apenas duas das revelações que emergem desta História Oral que está em curso e cujo primeiro capítulo é o livro "Gente Comum - Uma História na PIDE".
O testemunho de Aurora Rodrigues, magistrada do Ministério Público em Évora, sobre a sua experiência de oposição à ditadura e de prisão pela PIDE, relato na primeira pessoa registado pelo historiador António Monteiro Cardoso e pela antropóloga Paula Godinho, é um ponto sem retorno nas ciências sociais em Portugal: pelo conteúdo e pela forma.
Na mesa-redonda que apresentou e discutiu o livro na FCSH, e em que estiveram presentes, além dos autores, Luís Crespo de Andrade (Centro de História da Cultura), Zília Osório de Castro (Faces de Eva), Manuel Lisboa, (Observatório da Violência e Género) e Susana Sousa Dias (cineasta), Paula Godinho, investigadora do IELT, leu o texto que aqui publicamos. Afinal a História, nomeadamente a que não se confina ao documento escrito, ainda tem muito para nos contar e ensinar.

Carlos Nogueira
Abril de 2011

«Segundo a noção vulgar, a poesia de Fernando Pessoa é grande literatura e a de António Aleixo é literatura pobre ou menor. Pessoa é um poeta nobre, culto; Aleixo é um poeta plebeu, popular.
Sabemos que não é bem assim, apesar de tudo o que os separa. E, sem dúvida, tudo, desde o berço, que Aleixo decerto não teve, estaria destinado a ditar-lhes destinos radicalmente diferentes. Pessoa, nascido na capital, tinha ascendência fidalga; Aleixo nasceu na província numa família pobre. Pessoa, escolarizado, falava várias línguas; Aleixo frequentou o ensino primário apenas dois anos, antes de sair para aprender o ofício do pai (tecelão), e, por isso, quase não sabia ler nem escrever.»

projecto de candidatura dos Avieiros a cultura nacional
Abril de 2011

A presente Folha Informativa é dedicada ao artesanato Avieiro.
Trazemos-vos os produtos da actividade de um jovem artesão, Rui Miguel São Pedro, de Vila Nova da Barquinha, que produz barcos e casas palafíticas, de acordo com os modelos à escala real que se habituou a ver desde menino.
Filho de um construtor de barcos, também de Vila Nova da Barquinha, habituou-se desde menino a ver o pai a trabalhar e isso tê-lo-á influenciado, como admite.
O projecto dos Avieiros pretende criar condições para que outros artesãos possam aprender a arte de trabalhar à escala reduzida, de uma maneira tecnicamente correcta, para que as suas peças sejam apelativas e tenham valor comercial. Há um projecto em marcha, que pretende criar na aldeia das Caneiras, em Santarém, um Centro de Formação, com os objectivos descritos.
Os rendimentos gerados pela actividade do artesanato – produção e venda – contribuirão para o aumento dos rendimentos dos Avieiros e de suas famílias.


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